Max Verstappen usou duras palavras para descrever o estado do piso do Circuito das Américas, em Austin, às vésperas do GP dos Estados Unidos. Para o piloto da Red Bull, os solavancos da pista são inaceitáveis e representam um problema que as organizações do autódromo ainda não conseguiram resolver de forma definitiva.

O holandês afirmou que admira o traçado e a cidade que recebe a corrida, mas que isso não o impede de apontar falhas estruturais na pista. Segundo ele, “esses solavancos não são naturais e estão fora de controle”, disse Verstappen a jornalistas em Austin.

Verstappen rejeitou a justificativa de que o tipo de solo da região, construída sobre uma antiga área pantanosa, explicaria a dificuldade em manter o asfalto regular. Para ele, se esse já era um problema conhecido, caberia aos organizadores reforçar a base do circuito de forma mais consistente, mesmo que isso exija uma obra de maior porte e custo elevado.

O tetracampeão também relacionou o problema a riscos físicos para os pilotos. Ele contou que, na temporada passada, chegou a sofrer impactos verticais acima de 9G na coluna em certos pontos da pista, valor superior às cargas laterais normalmente sentidas nas curvas, que giram em torno de 5G a 6G. Verstappen disse ainda que exames recentes mostraram desgaste na parte inferior de sua coluna, atribuído em parte ao acúmulo de impactos sofridos nos últimos anos.

Novo regulamento pode piorar o quadro

Para Verstappen, a situação tende a se agravar com os carros da atual geração de regulamento. Segundo ele, embora esses modelos rodem, em média, com alturas do chassi maiores do que os carros de efeito solo usados entre 2022 e 2025, o sistema de asas móveis faz com que os carros baixem bruscamente ao fechar as asas nas zonas de frenagem, momento em que a pista costuma apresentar as irregularidades mais imprevisíveis.

O piloto da Red Bull reconheceu que o desgaste físico faz parte do automobilismo, mas alertou que normalizar esse tipo de piso pode ampliar os danos sofridos pelos pilotos ao longo do tempo.

Reações divididas no paddock

Lando Norris, da McLaren, apoiou publicamente a crítica de Verstappen. O atual campeão mundial afirmou que o autódromo está longe de atender às margens de tolerância exigidas hoje para a construção de novos circuitos e revelou que costuma tomar remédios para dor de cabeça antes de entrar na pista, devido aos impactos da cabeça contra o apoio do capacete causados pelos solavancos.

Já George Russell, da Mercedes, adotou um tom mais ponderado. Para o piloto britânico, irregularidades fazem parte da natureza do automobilismo, mas defendeu que as pistas de Fórmula 1 deveriam ser repavimentadas a cada poucos anos para evitar que o asfalto se deteriore. Russell também observou que a atual altura mínima dos carros em relação ao solo, de cerca de 10mm ao fim das retas, e o perfil mais baixo dos pneus de 18 polegadas reduziram o efeito de amortecimento que antes era proporcionado pelos próprios pneus.

A pista de Austin já passou por reforços de pavimentação em anos recentes, incluindo intervenções pontuais nesta temporada em alguns trechos específicos do traçado, mas as reclamações dos pilotos indicam que o problema persiste mesmo após essas correções.

Fontes: BBC Sport · The Race · Autosport