Horner admite que rivalidade com Wolff era real, mas virou ‘teatro’ na F1

Christian Horner reconheceu que sua rivalidade histórica com Toto Wolff na Fórmula 1, embora genuína em sua origem, acabou adquirindo um caráter cada vez mais teatral ao longo dos anos.
O ex-chefe da Red Bull lembrou que, entre 2010 e 2023, todos os títulos da categoria foram divididos entre a Mercedes de Wolff e a Red Bull sob seu comando, o que naturalmente colocou as duas equipes em rota de confronto constante.
Essa disputa ganhou ainda mais visibilidade com as câmeras da Netflix, que acompanharam bastidores da F1 para a série Drive to Survive. Um dos episódios mais lembrados envolveu a discussão acalorada entre os dois dirigentes sobre o fenômeno do porpoising, no início da era do efeito solo, em 2022.
Papel de vilão perdeu força após saída de Horner
Segundo Horner, ele próprio gostava de assumir um papel mais provocador diante das câmeras, mas essa dinâmica perdeu intensidade desde que deixou o comando da Red Bull, em julho de 2025. Seu sucessor, Laurent Mekies, tem um perfil mais diplomático, o que mudou o tom das interações com a Mercedes.
Em entrevista ao Motorsport.com, Horner afirmou que a rivalidade era autêntica no início, mas que, com o passar das temporadas, percebeu uma preocupação crescente com a imagem pessoal dos envolvidos, o que tornou tudo mais encenado. Ele destacou ainda que a edição de um programa de TV pode transformar qualquer pessoa em vilão ou herói, dependendo da montagem das cenas.
O ápice dessa disputa, segundo o dirigente, ocorreu em 2021, quando Max Verstappen e Lewis Hamilton protagonizaram um duelo intenso pelo título de pilotos, com batidas em diversas etapas. A temporada terminou de forma controversa em Abu Dhabi, com Verstappen conquistando o primeiro título de pilotos da Red Bull desde 2013, enquanto a Mercedes levou o octacampeonato de construtores.
Horner defende rivalidades no esporte
Horner elogiou Wolff como um competidor emocional e determinado, e disse ter grande respeito pelo trabalho do dirigente austríaco à frente da Mercedes. Para ele, o sucesso da equipe rival foi justamente o que tornou a conquista de 2021 ainda mais significativa para a Red Bull.
Ele defendeu que rivalidades acaloradas são saudáveis para o esporte, desde que não ultrapassem o limite pessoal, citando exemplos como as disputas entre Senna e Prost, ou Hunt e Lauda na própria Fórmula 1, além de casos do futebol envolvendo treinadores rivais.
“É bom ter rivalidade, desde que ela não descambe para o pessoal”, disse Horner, ao comentar a importância da competitividade entre equipes e pilotos para motivar grupos de trabalho e expor pontos fracos dos adversários.
Fontes: Motorsport.com Brasil