Hockenheim confirma negociações com a F1 sobre volta ao calendário

O Hockenheimring confirmou que mantém conversas com a Fórmula 1 sobre a possibilidade de voltar a receber uma etapa do Campeonato Mundial, mas fez questão de frisar que o projeto ainda está em fase preliminar.
Os executivos Joern Teske e Jochen Nerpel, à frente da gestão do autódromo alemão, trataram do tema em entrevista ao site Formel1.de, parceiro do Motorsport.com, durante o lançamento do complexo Motorworld, espaço que reúne automobilismo, comércio, hotelaria e eventos no mesmo local em Baden-Württemberg.
Hockenheim recebeu pela primeira vez o GP da Alemanha em 1970 e fez parte do calendário quase todos os anos entre 1977 e 2006. Depois disso, passou a sediar a corrida de forma alternada, até um último evento em 2019, viabilizado com apoio da Mercedes. Desde então, dificuldades financeiras impediram a realização de novas provas no local.
Infraestrutura precisaria de reforço
Segundo Teske, a F1 acompanha de perto a evolução do circuito, mas o principal critério da categoria não é o novo complexo recém-inaugurado, e sim a adequação geral da infraestrutura para sediar uma corrida. Ele afirmou que as imagens do Motorworld chamaram atenção, inclusive do CEO da F1, Stefano Domenicali, mas destacou que isso não é o fator decisivo para um retorno.
Nerpel detalhou que o autódromo precisaria de arquibancadas temporárias para ampliar a capacidade de cerca de 60 mil para perto de 100 mil espectadores, além de um prédio de boxes maior, capaz de acomodar as 11 equipes do grid atual.
Ele citou o exemplo da Hungria, onde um novo prédio de boxes foi erguido em poucos meses, resultado de apoio governamental que, segundo os dirigentes, inexiste na Alemanha. Nerpel lamentou que o país, referência mundial na indústria automotiva, dê pouca relevância institucional à Fórmula 1, tornando praticamente nula a chance de financiamento público para o projeto.
Corrida substituta não interessaria
Teske também descartou o interesse em organizar uma corrida substituta de última hora, cenário que ganhou força em meio às incertezas recentes do calendário ligadas ao conflito envolvendo o Irã. Para ele, um evento pontual sem garantia de continuidade não compensaria financeiramente.
Teske disse que uma corrida isolada geraria apenas um pico passageiro de atenção midiática, sem deixar valor duradouro para o circuito. Ele reforçou que só consideraria a hipótese de corrida substituta caso ela abrisse caminho para um contrato de longo prazo.
“Que valor duradouro uma única corrida traria?”, questionou Teske, ao justificar a resistência da organização a um acordo pontual.
Hockenheim lembrou ainda que 14 dos 22 pilotos do atual grid da F1 já correram no circuito alemão, com três deles vencendo ali: Fernando Alonso, Lewis Hamilton e Max Verstappen. Michael Schumacher segue como o piloto com mais vitórias na pista, somando quatro triunfos.
Fontes: Motorsport.com Brasil