Horner cobra da F1 revisão do teto orçamentário e cita gastos de até US$ 600 milhões

Christian Horner, chefe da equipe Red Bull, defendeu que a Fórmula 1 reveja o atual sistema de teto orçamentário, hoje fixado em 215 milhões de dólares por temporada. Segundo ele, o valor está distante da realidade financeira das equipes, que chegariam a gastar entre 500 e 600 milhões de dólares por ano.
O teto de gastos foi implantado em 2021, com limite inicial de 145 milhões de dólares, e passou por reajustes até alcançar o patamar atual. Apesar do nome, o mecanismo não contempla uma série de despesas, como os salários dos pilotos e dos três funcionários mais bem remunerados de cada equipe, além de custos com viagens e marketing. Há ainda um teto à parte, de 190 milhões de dólares, destinado especificamente às unidades de potência.
Horner lembrou que, em 2021, a própria Red Bull havia ultrapassado o limite de gastos em 5%, recebendo multa de sete milhões de dólares e sofrendo restrições de 10% no uso de túnel de vento e simulações de CFD. Segundo ele, o episódio ocorreu em um período de adaptação às novas regras, e problemas daquela época não se repetiriam hoje, já que o regulamento foi ajustado ao longo dos anos.
Efeito sanfona nos gastos
Para o dirigente britânico, as equipes sempre vão gastar o máximo permitido, e restringir um tipo de despesa normalmente empurra o dinheiro para outra área. Ele citou como exemplo os valores pagos a pilotos, hoje mais robustos do que eram antes da introdução do teto.
Horner também destacou que o sistema trouxe valorização financeira até para equipes menores do grid, como Haas e Williams, que hoje têm avaliações bilionárias, diferentemente do que ocorria antes das regras de controle de gastos. “As equipes estão gastando entre 500 ou 600 milhões de dólares”, disse ele ao Motorsport.com.
Nem todos no paddock concordam, porém, que o teto beneficia igualmente todos os times. James Vowles, chefe da Williams, afirmou neste mês que as equipes de ponta tiram mais proveito do sistema do que o restante do grid. Segundo ele, a Williams fica limitada em gastos com carro e equipe porque precisa direcionar parte do orçamento a despesas de capital que entram no cálculo do teto, enquanto rivais como Red Bull, Mercedes e Ferrari já haviam investido pesado em infraestrutura antes da mudança de regras, podendo hoje aplicar os 215 milhões de dólares diretamente no desenvolvimento do carro.
Mesmo com as divergências, Horner reforçou que o teto trouxe mais estabilidade financeira à categoria. Ele citou que a Force India foi a última equipe a entrar em recuperação judicial, em 2018, e descreveu o período anterior ao teto como uma fase em que as equipes gastavam até onde o dinheiro permitia, sem controle efetivo. Segundo ele, o novo modelo também elevou a importância das áreas de gestão financeira dentro das equipes, hoje tão relevantes quanto os departamentos técnicos.
Fontes: Motorsport.com Brasil